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Alteridade em versos
'Un homme est toujours la proie de ses vérités. ( Albert Camus).
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Dezembro já chegou e o Natal logo baterá à porta. Para aqueles que possuem fé essa é uma data mais veemente para renovação das energias e promessas de talvez melhores futuros. É duro não crer e manter “a tensão do absurdo da vida”- como diria o filósofo Albert Camus no seu célebre livro “O mito de Sísifo"; isto é, manter o raciocínio de que a nossa existência é renhida pelo absoluto caos, que a liberdade é a nossa condição permanente de escravidão existencial e que o “salto para fé” (expressão famosa do filósofo cristão existencialista-Søren Aabye Kierkegaard) é um ato do “fraco”- como rebateria Nietzsche no seu clássico “Genealogia da Moral”.

Eu tenho profundo respeito a qualquer tipo de religião. Sem embargo, como ateu, concordo que todo pensamento absoluto é uma “fórmula de crueldade humana” (ideia defendida também por Nietzsche no seu livro "Ecce Homo"). A visão religiosa, na minha opinião, enviesa toda dimensão da realidade - que é sempre multifacetada, polissêmica e caótica. Nunca absoluta.

”Mas não seria mais fácil obter o famoso repouso- que descrevia Agostinho em suas Confissões- ou entregar -se a loucura da fé como diz Paulo nos evangelhos?”.- alguns amigos religiosos cristãos perguntam-me.

Sem dúvidas!  A vida deve parecer mais otimista para aqueles que possuem fé. Mas como diria a famosa escritora Raquel de Queiroz em uma das suas últimas entrevistas- “admiro a estética do religioso- mas nasci sem o dom da fé”. Me enquadro nessa categoria. Acredito que também essa idiossincrasia foi reforçada pela minha formação acadêmica em filosofia.

Adoro as composições de Bach feitas em sua grande maioria para a Igreja luterana no século XVI, acho belo um Xiré do Candomblé pela sua capacidade antropológica de resistência da senzala em frente à casa grande ou a interessantíssima prática comunitária de um sanga no Budismo.
Mas, para mim, Deus ainda continua sendo “o delírio mais sofisticado já inventado pelos humanos”- como diria o etólogo Dawkins.

Porém, todavia...
Para os que acreditam no ressuscitado, boas festas! Já que logo ele chega. Enquanto a mim, sigo mantendo essa tensão de não crer e de não me entregar aquilo que ultrapassa o conceito.
Esse salto de fé, não posso dar.
gbbenfica
Enviado por gbbenfica em 04/12/2018
Alterado em 05/12/2018
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